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ChatGPT, Claude e Gemini no trabalho: quando usar cada um

A aba certa depende da cena: PDF que briga com a ata, fórmula da planilha, e-mail sem fato inventado, texto que tem de repetir a política.

ChatGPT, Claude e Gemini no escritório e na oficina: quando abrir cada um conforme o documento longo, a planilha, o brainstorm e o texto sob política da empresa. Critérios de tarefa, não medalha de melhor modelo.

Artur Boaz10 min de leitura
Três cartões lado a lado. Capa sobre ChatGPT, Claude e Gemini.

Três abas abertas e a pergunta errada

Na oficina, a terça começa com três abas e um prazo. Na primeira, a ata da reunião com o fornecedor de filtros. Na segunda, a planilha de estoque que recusou a fórmula. Na terceira, o rascunho do e-mail para o cliente que quer noventa dias de garantia. ChatGPT, Claude e Gemini estão abertos. Alguém pergunta, alto demais: qual é o melhor?

Essa é a pergunta que atrasa o serviço. Não existe medalha fixa entre os três. Existe a cena da manhã: ler um PDF sem inventar cláusula, consertar uma célula, listar ângulos de e-mail sem inventar desconto, e não colar a política interna na conta pessoal. A ferramenta certa é a que reduz o risco daquela tarefa, não a que ganhou a última conversa no grupo do WhatsApp.

O critério é a tarefa, não a marca

Antes de escolher a aba, nomeie o trabalho. Os três respondem em português fluente. O que muda é o tipo de erro que cada um costuma cometer quando você está com pressa.

Escrita. Precisa de um parágrafo limpo, tom de e-mail, lista curta? Os três dão conta. A diferença aparece quando o texto tem de repetir a palavra da casa (trinta dias corridos) em vez de ficar elegante (cerca de um mês).

Documento longo. PDF de política, ata, contrato de fornecedor, regulamento interno. Aqui o risco não é o texto feio. É o modelo alisar uma briga, fundir duas versões, ou preencher um buraco com uma frase que parece política.

Imagem e captura. Foto do erro na tela, print da planilha, etiqueta do produto. Quem lê a captura com calma evita o conserto inventado.

Integração e onde o arquivo mora. Se o PDF já está no Drive, se o e-mail já está no Gmail, se a planilha já é Sheets, o caminho curto conta. Colar tudo de um lado para o outro também é decisão: cada cola é um vazamento possível.

Buraco e invenção. Prazo que não estava na ata, número de peça que não estava na planilha, desconto que ninguém ofereceu. Quando o texto precisa de um dado e o dado não veio no recorte, o modelo preenche. Esse hábito tem nome e tem exemplo concreto no blog.

Conta da empresa versus conta pessoal. O modelo é o de menos. A conta é o de mais. Política interna, lista de clientes, custo do fornecedor e print com nome de funcionário não entram no login de casa, mesmo que a resposta fique melhor.

Com esses critérios, as cenas abaixo usam o mesmo pedido nos três, de propósito. Assim a comparação é de comportamento, não de marketing.

Documento longo: PDF, ata e política

Cena: a oficina tem uma política de garantia de 2019 (trinta dias corridos, peça de reposição, mão de obra à parte) e uma ata de março em que o fornecedor falou em “alinhar noventa dias para frota”. O cliente da van quer noventa. Você precisa saber o que o papel diz, não o que seria simpático dizer.

O pedido: Li a ata da reunião com o fornecedor e a política de garantia da oficina. O cliente pede 90 dias. O que cada documento diz sobre prazo? Se a informação não estiver no texto, responde exatamente: não consta. Não complete com o que é comum no mercado. Se os dois textos se contradisserem, mostra a contradição, não faça média.

O que o Claude costuma devolver: Citação curta, página ou trecho, e o rótulo “não consta” quando o noventa dias não está na política. Mantém a briga visível: a ata promete um alinhamento, a política não mudou. Útil quando você vai levar o recorte para o dono da oficina, não quando quer um resumo “para ficar bonito”.

O que o ChatGPT costuma devolver: Um texto mais redondo, às vezes já no tom de resposta ao cliente. O risco é alisar: “a casa tem trabalhado com prazos estendidos em frotas” quando isso só apareceu como fala na ata. Bom para um rascunho depois que você já marcou o que é fato. Fraco se você ainda não leu o PDF com os próprios olhos.

O que o Gemini costuma devolver: Se o PDF e a ata já estão no Drive, evita uma cola a mais, o que já é ganho de sigilo relativo. A resposta pode misturar o ficheiro com o que “em geral as oficinas fazem”. Peça de novo o “não consta” se a primeira volta vier com mercado, praça ou “é razoável”.

Antes de colar ata ou política, limpe nomes de cliente, valores de custo e qualquer anexo que não precisa estar ali. Documento longo na conversa é o mesmo gesto de resumir reunião sem vazar o que não é da conversa: recorte o necessário, tire o resto.

Quando a cena pede Claude: conflito entre papéis, “isto está ou não está escrito”, política versus fala de reunião.

Quando a cena pede ChatGPT: você já sabe o que consta e quer um parágrafo de encaminhamento para o cliente ou para a equipe.

Quando a cena pede Gemini: o arquivo já vive no Google e você quer perguntar em cima dele sem descarregar tudo para outro sítio.

Nenhum dos três substitui abrir o PDF e procurar a palavra “prazo”. O modelo é o segundo leitor, não o arquivo.

Ajuda code-ish: planilha, erro e captura

Cena: a planilha de estoque mínimo dos filtros. Coluna B é quantidade na prateleira, coluna C é reserva da semana, coluna D deveria ser “pedir se (B menos C) for menor que o mínimo da coluna E”. O Excel (ou o Sheets) devolve um aviso, a célula fica com erro, e alguém mandou um print no grupo.

O pedido: Segue a captura da planilha e a mensagem de erro. Quero a fórmula para a coluna D: pedir peça se estoque menos reserva for menor que o mínimo. Não inventes nome de função. Se a captura não mostrar a linha do cabeçalho, pergunta em vez de adivinhar se a linha 1 é título.

O que o ChatGPT costuma devolver: Uma fórmula pronta, às vezes já com SE e o intervalo. Velocidade alta. O risco é cravar PROCV ou uma função que a sua versão não tem, ou assumir que o estoque está na coluna A porque “é o habitual”. Confira a letra da coluna no print antes de colar na célula.

O que o Claude costuma devolver: Leitura mais lenta da mensagem de erro, e uma pergunta chata que vale ouro: “a linha 1 é cabeçalho?”. Menos teatro, mais chance de não inventar função. Bom quando o erro é de tipo (texto onde deveria ser número, célula mesclada, mínimo vazio).

O que o Gemini costuma devolver: Se a planilha é Google Sheets e a conta é a do trabalho, a conversa e o arquivo estão no mesmo quintal. Em captura solta, lê o print e sugere a fórmula do Sheets, que não é sempre a do Excel. Diga no pedido qual dos dois você está usando. “Planilha” sem nome de programa gera conserto pela metade.

Quando a cena pede ChatGPT: você reconhece a fórmula de vista e só quer destravar o erro rápido, com o print aberto ao lado.

Quando a cena pede Claude: a mensagem de erro é o centro (referência circular, #N/D, tipo de dado) e você não quer uma função de fantasia.

Quando a cena pede Gemini: o ficheiro já é Sheets na conta da empresa.

Se o número do estoque real não está no print, nenhum modelo “sabe” quantos filtros há na prateleira. A fórmula certa sobre um mínimo inventado ainda é um pedido errado ao fornecedor.

Brainstorm rápido: opções sem inventar fato

Cena: o fornecedor atrasou o lote de filtro de óleo. Você precisa de ângulos para um e-mail curto: firme, sem ameaça vazia, sem desconto que a gerência não aprovou, sem data de entrega que ninguém confirmou.

O pedido: Dá 5 ângulos para um e-mail ao fornecedor que atrasou o filtro de óleo da oficina. Não inventes prazo de entrega, percentual de desconto, nome de peça nem ameaça jurídica. Cada ângulo: uma linha de abordagem e uma frase de abertura. Se precisares de um dado que eu não dei, escreve “falta este dado” em vez de completar.

O que o ChatGPT costuma devolver: Cinco aberturas fluentes, prontas para colar. Útil às 17h. O deslize clássico é uma terça-feira, um “como combinado” que não combinou, ou um “10% na próxima nota”. Risque qualquer número que você não digitou.

O que o Claude costuma devolver: Lista mais seca, com mais “falta este dado”. Menos brilho, menos fanfic. Bom quando o risco é exatamente inventar prazo e a gerência vai ler o rascunho.

O que o Gemini costuma devolver: Ângulos curtos, às vezes genéricos (“reforçar a parceria”). Peça exemplos de frase, senão volta slogan. Se estiver ligado a e-mails antigos da mesma thread no Gmail, pode puxar tom real da casa. Aí o cuidado inverte: não deixe a thread inteira entrar se houver preço de custo ou nome de outro cliente.

Brainstorm serve para ângulo e tom. Não serve para fato. A data de chegada do lote continua sendo a do WhatsApp do fornecedor, não a da resposta.

Texto sob política da empresa

Aqui a marca do modelo quase não decide. Decide a conta, o que você cola, e se o texto tem de ser literal ou só fluente.

Conta certa. Política de garantia, tabela de custo do fornecedor, lista de frotas, print com placa e nome: só na conta que a empresa autorizou. A resposta “melhor” na conta pessoal ainda é um vazamento. Se a casa só liberou um dos três, essa restrição ganha de qualquer critério desta página.

O que não colar. CPF, preço de compra da peça, margem, conversa de advertência, anexo médico, contrato completo “só para resumir”. Para documento longo, o recorte já foi o tema acima. Para política, o recorte é ainda menor: o parágrafo da garantia, não o PDF inteiro com anexo de clientes.

Tom literal versus tom fluente. Se o texto vai para o cliente ou para o quadro da oficina, o número e a unidade têm de sair iguais aos da política: trinta dias corridos, não “um mês”; peça de reposição, não “o que for justo”. Claude tende a repetir o literal quando você manda “não parafrasear prazo nem unidade”. ChatGPT tende a alisar o tom e, nesse alisamento, a trocar a unidade. Gemini, no Workspace, tende a escrever como e-mail do Gmail: natural, e por isso perigoso se a política for rígida.

O pedido (os três): Reescreve este parágrafo da política de garantia para o quadro da recepção. Não alteres prazo, unidade nem exclusões. Se uma frase ficar ambígua, marca [ambíguo] em vez de resolver.

Use o que devolver mais marcas [ambíguo] e menos “melhorias”. Fluência demais, neste caso, é defeito.

Quando abrir cada um (e quando nenhum)

Checklist de decisão, da cena para a aba.

Abra o Claude quando o papel é longo e a pergunta é “consta ou não consta”; quando dois textos brigam e você não quer média; quando o rascunho tem de ficar colado no literal da política; quando a mensagem de erro da planilha importa mais do que uma fórmula bonita.

Abra o ChatGPT quando o fato já está na sua mesa e falta um parágrafo, uma lista de ângulos ou um chute de fórmula que você sabe conferir; quando a captura é clara e você vai testar a célula na hora; quando precisa de tom de e-mail depois da decisão humana.

Abra o Gemini quando o PDF, o e-mail ou a planilha já estão no Google da empresa; quando a captura e o Sheets são o mesmo trabalho; quando colar noutro sítio seria pior do que perguntar onde o arquivo já mora.

Não abra nenhum quando o número tem de sair do sistema de estoque, não da conversa; quando a garantia vira parecer sobre o cliente X; quando a ata ainda tem nome, valor e trecho que a casa não autorizou sair; quando você só quer que o modelo escolha por você entre noventa e trinta. Isso é decisão da oficina, não de aba.

Se a resposta trouxer prazo, peça, percentual ou “como combinado” que você não colou, trate como buraco, não como ajuda.

O que isto não garante

Os três mudam de comportamento sem aviso seu. O que hoje cita o PDF amanhã resume demais. Tendência não é garantia: o Claude também alisa, o ChatGPT também diz “não consta”, o Gemini também inventa um mínimo de estoque. A política da casa ganha sempre, inclusive a que diz “só esta ferramenta” ou “nada de cliente na conversa”. Isto não é parecer jurídico, trabalhista nem fiscal. É mapa de risco para quem está entre a ata, a planilha e o balcão.

O que fazer agora

Hoje. Escolha um recado real da semana (ata versus política, célula com erro, ou e-mail ao fornecedor). Abra os três só nessa cena, com o mesmo pedido desta página. Guarde a resposta que inventar número e a que escrever “não consta” ou “falta este dado”. Essa dupla vale mais do que qualquer ranking.

Nesta semana. Defina na parede ou no grupo da equipe: documento longo com conflito vai para um sítio; fórmula e print, para outro; Google da empresa, para o terceiro; conta pessoal, para nenhum texto da casa. Na sexta, releia um rascunho que tenha ido para cliente e marque o que o modelo alisou. O critério que sobrar é o seu, não o da marca.